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Bancada Feminista do PSOL

Prefeitura de SP suspende contrato de empresa de merenda escolar após denúncias da Bancada Feminista e cita ‘graves irregularidades’; MP-SP investiga caso

Profissionais de escolas atendidas pela Sepat Multi Service e pais de alunos relatam suspensão de aulas por falta de merenda, falta de insumos e redução no quadro de funcionários das cozinhas entre os problemas no atendimento.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil para apurar denúncias de falhas no fornecimento da merenda escolar em unidades da rede municipal de ensino na região do Campo Limpo, Zona Sul da capital.

A medida foi motivada por um pedido da Bancada Feminista do PSOL, que recebeu relatos de irregularidades envolvendo a empresa Sepat Multi Service, contratada para gerenciar o serviço de alimentação em escolas do bairro.

Em nota, a prefeitura informou que encerrou nesta sexta-feira (8) o contrato vigente até o fim do ano com a empresa responsável pela operação das merendas “em razão de graves irregularidades constatadas e a inadequação na prestação dos serviços”.

Disse também que contratou outras duas companhias para operar a partir da segunda-feira.

Profissionais e pais de alunos dessas escolas também relataram ao g1 problemas no atendimento da Sepat, como a falta de insumos e a redução no quadro de funcionários que trabalham nas cozinhas.

Na quinta (7) e nesta sexta-feira (8), ao menos duas dessas escolas, segundo apuração do g1, suspenderam as aulas por não conseguir atender os alunos. Em nota, a Sepat afirmou que foi surpreendida com a suspensão do contrato e que reitera compromisso com alimentação saudável.

Falta de merenda

Nas últimas semanas, o descontentamento se intensificou em diversas unidades de ensino. Um exemplo foi a Escola Municipal de Educação Infantil Travessa dos Sonhos, localizada no bairro Jardim Americanópolis, onde há relatos de falta de merenda para os estudantes, além de profissionais de cozinha.

Roseli Maria da Paixão Santos, mãe de uma aluna da escola, afirma que nunca viu “uma situação tão difícil”.

“Não sabemos se na próxima semana as aulas vão acontecer normalmente ou se teremos que buscar alternativas para o ensino dela em casa.” Ela destaca que a falta de alimentos também tem gerado preocupação entre os pais.

“O que a escola nos oferece hoje é incerto. Não sei quando meu filho poderá retornar à escola.”

Funcionários das unidades relataram que as próprias cozinheiras tiveram de levar ingredientes como óleo, açúcar e sal de suas casas para conseguir cozinhar.

“Nós atendemos em torno de 600 crianças. E só temos duas cozinheiras, que trabalham em média 12 horas por dia para conseguir minimamente atender a demanda”, disse um deles, que pediu para não ter seu nome revelado.

A falta de merenda fez também com que um evento literário marcado para este sábado (10) na Emei Travessa dos Sonhos fosse cancelado.

O inquérito

Segundo as denúncias investigadas pelo MP-SP, a Sepat estaria restringindo a repetição de itens como frutas e lanches, o que prejudica o acesso de estudantes a uma alimentação adequada durante o período escolar.

Casos envolvendo alunos com seletividade alimentar — ou seja, com necessidades alimentares específicas — também foram relatados, apontando a falta de atendimento às suas restrições e preferências, o que compromete a inclusão e o direito à alimentação adequada.

O promotor de Justiça Bruno Orsini Simonetti, responsável pela instauração do inquérito, destacou que o Estado tem a obrigação constitucional de garantir, com prioridade absoluta, os direitos das crianças e dos adolescentes, incluindo o acesso à “direito à educação, à dignidade, ao respeito, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência”.

Além da restrição na oferta de alimentos, o inquérito também investigará problemas de comunicação entre as escolas da Diretoria Regional de Ensino (DRE) do Campo Limpo, a Coordenadoria de Alimentação Escolar (CODAE) e a Secretaria Municipal de Educação (SME). Há relatos de falhas tanto na qualidade quanto na quantidade das refeições servidas.

Silvia Ferraro, covereadora da Bancada Feminista do PSOL, cobrou responsabilização dos envolvidos. “Esperamos que a apuração do MP possa encontrar os responsáveis pelas falhas e responsabilizá-los. A empresa e a prefeitura têm de respeitar e garantir o direito básico à alimentação escolar de nossas crianças”, afirmou.

O que diz a prefeitura

“A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, informa que rescindiu o contrato com a empresa Sepat Mul Service LTDA, em razão de graves irregularidades constatadas e a inadequação na prestação dos serviços. As empresas que assumirão a execução dos serviços dos lotes da licitação já foram contratadas e são a Angá Alimentação e Serviço Ltda e Apetece Sistemas de Alimentação LTDA. A decisão foi motivada pela Prefeitura não abrir mão de oferecer alimentação escolar adequada, variada e de alto valor nutricional aos estudantes.”

O que diz a Sepat

“A Sepat Multi Service Ltda. vem, por meio desta, prestar esclarecimentos sobre o encerramento do contrato de fornecimento de merenda escolar com a Prefeitura de São Paulo.

Com mais de duas décadas de atuação no setor de alimentação escolar, a Sepat atende diariamente mais de um milhão de refeições em sete estados do país. Nossas operações contam com uma estrutura sólida, composta por equipes técnicas, operacionais e mais de 300 nutricionistas, comprometidos com a segurança alimentar, o planejamento nutricional e o pleno cumprimento dos contratos firmados. Todos os insumos utilizados seguem rigorosamente os critérios técnicos e são previamente homologados pelos órgãos competentes da Prefeitura.

Na última sexta-feira, após as 17h, fomos surpreendidos com a notificação oficial sobre o encerramento do contrato. Até o momento, a empresa aguarda o acesso ao processo administrativo que fundamenta tal decisão, a fim de conhecer seu conteúdo e os elementos legais que a sustentam.

Independentemente disso, e com total responsabilidade institucional, neste sábado, 9 de agosto, a Sepat tem atuado de forma colaborativa junto às empresas que assumirão o serviço, disponibilizando equipamentos, estoques de alimentos presentes nas escolas e nos centros de distribuição, com o objetivo de assegurar a continuidade da alimentação escolar e evitar qualquer prejuízo às crianças atendidas.

As informações veiculadas em alguns meios de comunicação sobre supostas falhas na prestação do serviço não refletem a realidade da nossa operação. Desde o início da vigência contratual, a Sepat cumpriu integralmente as exigências previstas no edital da licitação e buscou manter a regularidade do fornecimento, mesmo diante de condições não previstas no escopo contratual.

A Sepat reitera seu compromisso com a oferta de uma alimentação escolar saudável, equilibrada e segura, e permanece à disposição para colaborar com os órgãos de controle e com a imprensa, contribuindo com a apuração transparente dos fatos.”

leticia lé

Jovem negra e nordestina, advogada especializada em direitos humanos. Formada na primeira turma de cotistas da Faculdade de Direito da USP, onde é fundadora do Laboratório de Estudos Étnico-Raciais. Ativista do coletivo “Afronte!” e do movimento negro.

DAFNE sena

Advogada criminalista, mãe do Martin e autista com diagnóstico tardio. Militante ecossocialista e parte da coordenação da Frente São Paulo Pela Vida. Participou da resistência popular contra as revisões do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento da cidade. Desde 2021, é covereadora da Bancada Feminista do PSOL.

naiara do rosário

Jovem negra e periférica, pedagoga e mãe da Sol. Liderança comunitária no fundão da zona Sul da cidade, educadora nos cursinhos populares da Rede Emancipa e coordenadora da Casa Emancipa do Grajaú.

SILVIA FERRARO

Ativista em defesa da educação pública, professora de História da rede municipal de ensino e mãe da Victoria. Iniciou sua atuação política na luta contra a ditadura militar, participando da Pastoral da Juventude e do movimento estudantil secundarista. Candidata ao Senado em 2018 e, desde 2021, covereadora da Bancada Feminista do PSOL.

NATHALIA SANTANA

Mulher negra, bissexual e vegana, formada em engenharia ambiental. Defende os territórios e comunidades tradicionais frente ao racismo ambiental e enfrenta a emergência climática com justiça racial. Militante ecossocialista e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.

Sirlene Maciel

Professora, sindicalista e sambista nas horas vagas. Nasceu no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Filha de um gráfico e uma tecelã, trabalhou no comércio, em supermercado, em telemarketing e como professora nas redes estadual e municipal de São Paulo. Desde 2008, leciona Língua Portuguesa e Literatura no Centro Paula Souza, na Etec Prof. Aprígio Gonzaga e na Etec Tereza Nunes. É mestra em Estudos Literários pela Unesp Araraquara. Possui experiência nas lutas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Atualmente, é presidenta da Ateps (Associação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Centro Paula Souza). Foi diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), gestão 2001-2003. Participou da Executiva da Apeoesp de Guarulhos e do Conselho Geral do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais de Educação do Município de SP).

Paula Nunes

Advogada criminalista e defensora de direitos humanos, tem a segurança pública como uma de suas principais pautas. Iniciou sua militância no movimento de juventude e no movimento negro em 2012, integrando a gestão do Centro Acadêmico 22 de Agosto do Direito PUC/SP, além de ter ajudado a construir coletivos de combate ao racismo, como a Coalizão Negra por Direitos, o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra e a Frente Pró-Cotas nas universidades estaduais paulistas. Na adolescência, fez parte da coordenação do grupo de jovens da Igreja Santo Antônio de Lisboa, na Zona Leste de São Paulo, e da Juventude Palotina do Brasil. É ativista da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do movimento de juventude Afronte, e foi covereadora com a Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo (2021-2023).

Silvia Ferraro

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Professora de História da rede municipal de ensino, mãe e ativista da frente Povo Sem Medo e do movimento feminista. Sua militância política começou já na adolescência, a partir do movimento estudantil, da Pastoral da Juventude e das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Começou a dar aulas na escola pública com 20 anos e, desde então, construiu uma trajetória de luta em defesa da educação. Foi candidata do PSOL ao Senado em 2018, quando obteve mais de 208 mil votos só na capital, a maior votação do partido na cidade. É membra do Diretório Nacional do PSOL.

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Paula Nunes

Advogada criminalista e defensora de direitos humanos, tem a segurança pública como uma de suas principais pautas. Iniciou sua militância no movimento de juventude e no movimento negro em 2012, integrando a gestão do Centro Acadêmico 22 de Agosto do Direito PUC/SP, além de ter ajudado a construir coletivos de combate ao racismo, como a Coalizão Negra por Direitos, o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra e a Frente Pró-Cotas nas universidades estaduais paulistas. Na adolescência, fez parte da coordenação do grupo de jovens da Igreja Santo Antônio de Lisboa, na Zona Leste de São Paulo, e da Juventude Palotina do Brasil. É ativista da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do movimento de juventude Afronte, e foi covereadora com a Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo (2021-2023).

Mariana Souza

Cientista social com habilitação em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas. Militante ecossocialista, bissexual, vegana popular e educadora. Cria do ABC, fez parte de uma candidatura coletiva à vereança de Curitiba, em 2020. Foi servidora pública municipal das secretarias de Educação dos municípios de Santo André e Mauá. Também atuou no Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar do Paraná (CECANE/UFPR), e como mediadora de conflitos socioambientais; entre outras atividades profissionais e militantes ligadas ao direito à cidade, à soberania alimentar e por justiça ambiental, social e climática.

Carolina Iara

Carolina Iara é mulher intersexo, travesti, negra e vive com HIV/aids. Foi covereadora da Câmara Municipal de São Paulo com a Bancada Feminista do PSOL. É mestranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC e pesquisa sobre empregabilidade de pessoas negras que vivem com HIV. É assistente de políticas públicas da Secretaria Municipal de Saúde (onde trabalhou por 7 anos com vítimas de violência doméstica e sexual) e é militante do Coletivo Loka de Efavirenz, da Rede de Jovens São Paulo Positivo (RJSP+), dos movimentos de HIV/AIDS e LGBTQIA+, e da Associação Brasileira Intersexo (ABRAl) a qual ajudou a fundar. Também é escritora e poeta.

Carolina Iara

Carolina Iara é mulher intersexo, travesti, negra e vive com HIV/aids. Foi covereadora da Câmara Municipal de São Paulo com a Bancada Feminista do PSOL. É mestranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC e pesquisa sobre empregabilidade de pessoas negras que vivem com HIV. É assistente de políticas públicas da Secretaria Municipal de Saúde (onde trabalhou por 7 anos com vítimas de violência doméstica e sexual) e é militante do Coletivo Loka de Efavirenz, da Rede de Jovens São Paulo Positivo (RJSP+), dos movimentos de HIV/AIDS e LGBTQIA+, e da Associação Brasileira Intersexo (ABRAl) a qual ajudou a fundar. Também é escritora e poeta.

Dafne Sena

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Advogada criminalista de formação, foi trabalhadora de aplicativos, é militante ecossocialista, vegana por um veganismo popular e integra a Coordenação Estadual da Setorial Ecossocialista do PSOL.

Natália Chaves

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Militante ecossocialista e pelo veganismo popular. Formada em Letras, é tradutora, tendo contribuído com a Revista Jacobin. Participa do Coletivo Anticapitalista por um Veganismo Acessível e Livre de Opressão (C.A.V.A.L.O.) e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.