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Bancada Feminista do PSOL

O exercício de empatia ao participar de plebiscito popular

Por Silvia Ferraro* e Simone Nascimento**

O debate sobre justiça fiscal polariza o país neste momento. De um lado, o centrão e a extrema direita exigindo desindexação das aposentadorias e corte de gastos da saúde, da educação e do Bolsa Família. De outro, o governo Lula, que felizmente parece ter colocado um limite em suas concessões ao mercado.

A ficção neoliberal quer fazer crer que esse debate trata apenas de números, taxas e alíquotas, mas é um debate sobre a vida do nosso povo e o futuro da nação. A discussão revela, na verdade, visões distintas acerca de temas estratégicos: ter uma educação que produza tecnologia ou uma educação sucateada; investir em transição energética ou seguir cedendo ao reino do agro; garantir seguridade social e dignidade aos idosos ou deixá-los em condições de vulnerabilidade econômica.

Quando falamos de economia, estamos refletindo se queremos um país soberano, que investe no futuro, ou um país subordinado, subserviente aos interesses do mercado financeiro, de especuladores, para os quais o Brasil é apenas uma fonte de lucro imediato, um território e uma população a serem explorados.

Essa polêmica coloca um desafio às forças políticas de esquerda. Se os banqueiros e super-ricos fazem barulho, as organizações populares devem também pautar o debate público e construir mobilização popular a fim de pressionar o Congresso Nacional e o governo federal.

Para isso, vários movimentos sociais das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, entre eles o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e a UNE (União Nacional dos Estudantes), estão impulsionando um plebiscito popular, desde 1º de julho em todas as regiões do Brasil, com o objetivo de convidar o nosso povo a conversar e opinar a respeito de questões fundamentais para nossa sociedade, como escala de trabalho 6×1 e taxação das grandes fortunas.

O fim da escala 6×1 é uma proposta que veio à tona de baixo pra cima, trazida por uma geração de jovens com Carteira de Trabalho assinada, porém com salários baixos, que trabalha em supermercados, farmácias, nos telemarketings e que clamam por ter mais de um dia de folga para poder viver. Vida além do trabalho é uma das reivindicações mais simples e mais tocantes da história do movimento dos trabalhadores brasileiros. O futuro certamente está nas mãos desses jovens que se questionam e questionam seus supostos representantes: para que trabalhamos se não há tempo para o lazer, para cuidar dos filhos e da casa, para estudar, descansar, amar?

A taxação das grandes fortunas, por sua vez, é uma medida incontornável em um país com extremas desigualdades socioeconômicas e com um dos sistemas tributários mais injustos do mundo, onde os mais ricos pagam, proporcionalmente, muito menos impostos do que a maioria do povo. Não há alternativa melhor para ampliar a arrecadação do Estado e aumentar sua capacidade de intervir na economia para gerar empregos, renda e oportunidades para a população mais pobre.

Não é a primeira vez na história do Brasil que esse tipo de consulta acontece, já foi instrumento para fortalecer a participação popular e refletir a vontade da maioria em questões fundamentais do país. Os movimentos sociais têm experiência em consultas similares. Em 2002, por exemplo, realizaram o plebiscito contra a Área de Livre Comércio das Américas, que contou com mais de dez milhões de votantes. Mais recentemente, em 2023, ocorreu no estado de São Paulo a consulta sobre os processos de privatização da CPTM, do Metrô e da Sabesp.

Com mais uma iniciativa dessas, sem dúvida, ganha a democracia. Ao final da votação, o resultado será entregue ao presidente Lula e aos presidentes da Câmara Federal e do Senado. Um grande apoio da população a pautas tão importantes pode ser determinante para a conquista desses direitos.

O Plebiscito Popular, além de uma ferramenta de mobilização popular e de pressão sobre as instituições, também busca ser um instrumento de conexão da esquerda com o povo trabalhador. Inspirado nas campanhas políticas de esquerda no mundo afora, como a recente do Die Linke, fenômeno de votos na Alemanha, o Plebiscito Popular propõe o método do diálogo porta a porta, olho no olho.

Mais do que falar, queremos ouvir. Seremos um exército de escuta e empatia.

Silvia Ferraro é professora da Rede Municipal de São Paulo e covereadora da Bancada Feminista do PSOL 

Simone Nascimento é jornalista, mestra pela USP (Universidade da São Paulo), está coordenadora do Movimento Negro Unificado em São Paulo e é codeputada estadual da Bancada Feminista do PSOL na Alesp

leticia lé

Jovem negra e nordestina, advogada especializada em direitos humanos. Formada na primeira turma de cotistas da Faculdade de Direito da USP, onde é fundadora do Laboratório de Estudos Étnico-Raciais. Ativista do coletivo “Afronte!” e do movimento negro.

DAFNE sena

Advogada criminalista, mãe do Martin e autista com diagnóstico tardio. Militante ecossocialista e parte da coordenação da Frente São Paulo Pela Vida. Participou da resistência popular contra as revisões do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento da cidade. Desde 2021, é covereadora da Bancada Feminista do PSOL.

naiara do rosário

Jovem negra e periférica, pedagoga e mãe da Sol. Liderança comunitária no fundão da zona Sul da cidade, educadora nos cursinhos populares da Rede Emancipa e coordenadora da Casa Emancipa do Grajaú.

SILVIA FERRARO

Ativista em defesa da educação pública, professora de História da rede municipal de ensino e mãe da Victoria. Iniciou sua atuação política na luta contra a ditadura militar, participando da Pastoral da Juventude e do movimento estudantil secundarista. Candidata ao Senado em 2018 e, desde 2021, covereadora da Bancada Feminista do PSOL.

NATHALIA SANTANA

Mulher negra, bissexual e vegana, formada em engenharia ambiental. Defende os territórios e comunidades tradicionais frente ao racismo ambiental e enfrenta a emergência climática com justiça racial. Militante ecossocialista e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.

Sirlene Maciel

Professora, sindicalista e sambista nas horas vagas. Nasceu no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Filha de um gráfico e uma tecelã, trabalhou no comércio, em supermercado, em telemarketing e como professora nas redes estadual e municipal de São Paulo. Desde 2008, leciona Língua Portuguesa e Literatura no Centro Paula Souza, na Etec Prof. Aprígio Gonzaga e na Etec Tereza Nunes. É mestra em Estudos Literários pela Unesp Araraquara. Possui experiência nas lutas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Atualmente, é presidenta da Ateps (Associação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Centro Paula Souza). Foi diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), gestão 2001-2003. Participou da Executiva da Apeoesp de Guarulhos e do Conselho Geral do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais de Educação do Município de SP).

Paula Nunes

Advogada criminalista e defensora de direitos humanos, tem a segurança pública como uma de suas principais pautas. Iniciou sua militância no movimento de juventude e no movimento negro em 2012, integrando a gestão do Centro Acadêmico 22 de Agosto do Direito PUC/SP, além de ter ajudado a construir coletivos de combate ao racismo, como a Coalizão Negra por Direitos, o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra e a Frente Pró-Cotas nas universidades estaduais paulistas. Na adolescência, fez parte da coordenação do grupo de jovens da Igreja Santo Antônio de Lisboa, na Zona Leste de São Paulo, e da Juventude Palotina do Brasil. É ativista da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do movimento de juventude Afronte, e foi covereadora com a Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo (2021-2023).

Silvia Ferraro

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Professora de História da rede municipal de ensino, mãe e ativista da frente Povo Sem Medo e do movimento feminista. Sua militância política começou já na adolescência, a partir do movimento estudantil, da Pastoral da Juventude e das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Começou a dar aulas na escola pública com 20 anos e, desde então, construiu uma trajetória de luta em defesa da educação. Foi candidata do PSOL ao Senado em 2018, quando obteve mais de 208 mil votos só na capital, a maior votação do partido na cidade. É membra do Diretório Nacional do PSOL.

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Paula Nunes

Advogada criminalista e defensora de direitos humanos, tem a segurança pública como uma de suas principais pautas. Iniciou sua militância no movimento de juventude e no movimento negro em 2012, integrando a gestão do Centro Acadêmico 22 de Agosto do Direito PUC/SP, além de ter ajudado a construir coletivos de combate ao racismo, como a Coalizão Negra por Direitos, o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra e a Frente Pró-Cotas nas universidades estaduais paulistas. Na adolescência, fez parte da coordenação do grupo de jovens da Igreja Santo Antônio de Lisboa, na Zona Leste de São Paulo, e da Juventude Palotina do Brasil. É ativista da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do movimento de juventude Afronte, e foi covereadora com a Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo (2021-2023).

Mariana Souza

Cientista social com habilitação em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas. Militante ecossocialista, bissexual, vegana popular e educadora. Cria do ABC, fez parte de uma candidatura coletiva à vereança de Curitiba, em 2020. Foi servidora pública municipal das secretarias de Educação dos municípios de Santo André e Mauá. Também atuou no Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar do Paraná (CECANE/UFPR), e como mediadora de conflitos socioambientais; entre outras atividades profissionais e militantes ligadas ao direito à cidade, à soberania alimentar e por justiça ambiental, social e climática.

Carolina Iara

Carolina Iara é mulher intersexo, travesti, negra e vive com HIV/aids. Foi covereadora da Câmara Municipal de São Paulo com a Bancada Feminista do PSOL. É mestranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC e pesquisa sobre empregabilidade de pessoas negras que vivem com HIV. É assistente de políticas públicas da Secretaria Municipal de Saúde (onde trabalhou por 7 anos com vítimas de violência doméstica e sexual) e é militante do Coletivo Loka de Efavirenz, da Rede de Jovens São Paulo Positivo (RJSP+), dos movimentos de HIV/AIDS e LGBTQIA+, e da Associação Brasileira Intersexo (ABRAl) a qual ajudou a fundar. Também é escritora e poeta.

Carolina Iara

Carolina Iara é mulher intersexo, travesti, negra e vive com HIV/aids. Foi covereadora da Câmara Municipal de São Paulo com a Bancada Feminista do PSOL. É mestranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC e pesquisa sobre empregabilidade de pessoas negras que vivem com HIV. É assistente de políticas públicas da Secretaria Municipal de Saúde (onde trabalhou por 7 anos com vítimas de violência doméstica e sexual) e é militante do Coletivo Loka de Efavirenz, da Rede de Jovens São Paulo Positivo (RJSP+), dos movimentos de HIV/AIDS e LGBTQIA+, e da Associação Brasileira Intersexo (ABRAl) a qual ajudou a fundar. Também é escritora e poeta.

Dafne Sena

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Advogada criminalista de formação, foi trabalhadora de aplicativos, é militante ecossocialista, vegana por um veganismo popular e integra a Coordenação Estadual da Setorial Ecossocialista do PSOL.

Natália Chaves

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Militante ecossocialista e pelo veganismo popular. Formada em Letras, é tradutora, tendo contribuído com a Revista Jacobin. Participa do Coletivo Anticapitalista por um Veganismo Acessível e Livre de Opressão (C.A.V.A.L.O.) e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.