Avançar para o conteúdo

Bancada Feminista do PSOL

Pablo Marçal é condenado pela segunda vez a oito anos de inelegibilidade

Condenação partiu de ações de investigação judicial eleitoral movidas pelo diretório municipal do PSB, pela vereadora da capital Silvia Ferraro, da Bancada Feminista do PSOL, e pelo Ministério Público de São Paulo

O empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) foi condenado pela Justiça Eleitoral, pela segunda vez, a oito anos de inelegibilidade por abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e captação e gastos ilícitos de recursos durante a campanha eleitoral de 2024, quando concorreu à prefeitura de São Paulo e ficou em terceiro lugar. A sentença aponta que Marçal obteve vantagens eleitorais indevidas ao promover os chamados “campeonatos de cortes”, em que oferecia premiações a usuários do Discord em troca da viralização de seus conteúdos na internet.

O mecanismo de divulgação paga adotado pelo empresário foi revelado pelo jornal O GLOBO em junho do ano passado e passou a ser questionado judicialmente em ao menos três processos, julgados de forma unificada na noite deste sábado (26). A legislação veda que candidatos promovam, mediante pagamento, conteúdo relativo às eleições em perfis que não sejam os seus próprios. A proibição cobre tanto o período oficial de campanha, ocorrido entre 16 de agosto e 27 de outubro, quanto a pré-campanha, usualmente considerada a partir do início do ano eleitoral, em 1º de janeiro.

A sentença proferida pelo juiz eleitoral Antonio Maria Patiño Zorz, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, estabelece a impossibilidade de Marçal concorrer até 2032, quando se completam oito anos desde o pleito municipal onde a irregularidade teria sido cometida. O empresário terá de pagar ainda multa de R$ 420 mil por descumprir uma liminar do processo que previa a suspensão imediata das atividades do canal no Discord. Foi constatado através de prints que o grupo continuou ativo entre os meses de agosto e outubro, quando havia imposição de multa de R$ 10 mil por dia, e que os responsáveis pela moderação eram sócios do empresário. “Deste modo, o réu Pablo Marçal é corresponsável pelas condutas perpetradas”, anota o magistrado.

O ex-candidato pode recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), e a jurisprudência relativa a esse tipo de crime eleitoral costuma resultar na cassação do registro de candidatura após decisão colegiada, o que ainda não ocorreu nos dois processos que o declararam inelegível em primeira instância. Ao GLOBO, a assessoria do empresário disse que a decisão é temporária, indicando que deve apresentar recurso. “Cumprimos todos os requisitos legais durante a campanha. Confio na Justiça e estou certo de que vamos reverter”, declarou em nota.

Marçal costuma dizer em entrevistas que jovens aprenderam a ganhar dinheiro com os vídeos curtos e que, de fato, suas empresas incentivam a prática por meio de “campeonatos de cortes”. Ele, no entanto, nega que isso tenha sido feito no período de campanha ou pré-campanha, ainda que existam provas nesse sentido, recolhidas em redes como o Discord. Uma empresa do candidato do PRTB pagou R$ 14 mil a um influenciador no início de abril, por exemplo, segundo comprovante divulgado pelo beneficiário. Alguns dos regulamentos dos campeonatos previam a necessidade de os participantes seguirem as contas de Marçal e do influenciador Renato Cariani e de postar ao menos um vídeo a cada três dias.

A primeira reportagem do GLOBO constatou a existência de 50 perfis dedicados a repercutir conteúdo pró-Marçal, que somavam quase 26 mil publicações e 5,2 milhões de seguidores. A comunidade “Cortes do Marçal” no Discord organizou concursos com promessa de prêmios de até R$ 70 mil para quem conseguisse mais visualizações com os vídeos curtos no Instagram e no TikTok. Estudo realizado pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, da USP, estimou que o empresário precisaria de um valor 175 vezes superior ao que gastou por campeonato para atingir um patamar semelhante de visualizações, até 650 milhões por edição, se recorresse a mecanismos lícitos.

“A estratégia correspondente ao impulsionamento de cortes efetuados por terceiras pessoas trouxe ao réu uma vantagem indevida considerada a fraude na mobilização artificialmente ocorrida para que fosse criada a impressão de havia uma onda genuína de apoio a suas ideias e plataforma política mas que foi motivada pela perspectiva de ganhos financeiros”, escreve o juiz em outro trecho da sentença. A candidata a vice, Antônia de Jesus (PRTB), foi absolvida no processo porque “sua posição se resume como mera beneficiária da conduta” e justificaria a cassação apenas “se a chapa tivesse sido eleita”.

A indústria de cortes permitia não apenas ampliar a influência do candidato nas redes sociais como também terceirizar desinformação e ataques a adversários a partir, por exemplo, de declarações infundadas em debates e entrevistas — ele também já foi denunciado pelo crime de difamação eleitoral contra Tabata Amaral (PSB) ao associar um intercâmbio da deputada com o suicídio do pai e divulgou um laudo falso de uso de cocaína contra Guilherme Boulos (PSOL) na véspera do pleito, outro caso que ainda pode gerar complicações na Justiça.

Primeira condenação

Esta é a segunda vez que Marçal é condenado. Em fevereiro deste ano, o juiz eleitoral Antonio Maria Patiño Zorz, que também assina a segunda sentença, condenou o ex-candidato pelos mesmos crimes, em uma ação que o acusava de venda de apoio político. Durante a campanha eleitoral de 2024, o empresário prometeu gravar vídeos de apoio a candidatos a vereador que fizessem transferências Pix no valor de R$ 5 mil para a sua campanha.

— Você conhece alguém que quer ser vereador e é candidato? Que não seja de esquerda, tá? Esquerda não precisa avisar. Se essa pessoa é do bem e quer um vídeo meu para ajudar a impulsionar a campanha dela, você vai mandar esse vídeo e falar: “Olha aqui a oportunidade”. Essa pessoa vai mandar um Pix pra minha campanha, de doação, um Pix de R$ 5 mil — afirma na gravação.

À época, o coordenador jurídico da campanha de Marçal, Paulo Hamilton Siqueira Junior, informou que recorreria da ação junto ao TRE-SP.

A primeira condenação foi tomada no âmbito de ações movidas pelo PSB de Tabata e pela coligação de Boulos, que disputaram com Marçal a corrida pela prefeitura de São Paulo. Já a segunda partiu de ações de investigação judicial eleitoral movidas pelo diretório municipal do PSB, pela vereadora da capital Silvia Ferraro (PSOL) e pelo Ministério Público de São Paulo.

leticia lé

Jovem negra e nordestina, advogada especializada em direitos humanos. Formada na primeira turma de cotistas da Faculdade de Direito da USP, onde é fundadora do Laboratório de Estudos Étnico-Raciais. Ativista do coletivo “Afronte!” e do movimento negro.

DAFNE sena

Advogada criminalista, mãe do Martin e autista com diagnóstico tardio. Militante ecossocialista e parte da coordenação da Frente São Paulo Pela Vida. Participou da resistência popular contra as revisões do Plano Diretor e da Lei de Zoneamento da cidade. Desde 2021, é covereadora da Bancada Feminista do PSOL.

naiara do rosário

Jovem negra e periférica, pedagoga e mãe da Sol. Liderança comunitária no fundão da zona Sul da cidade, educadora nos cursinhos populares da Rede Emancipa e coordenadora da Casa Emancipa do Grajaú.

SILVIA FERRARO

Ativista em defesa da educação pública, professora de História da rede municipal de ensino e mãe da Victoria. Iniciou sua atuação política na luta contra a ditadura militar, participando da Pastoral da Juventude e do movimento estudantil secundarista. Candidata ao Senado em 2018 e, desde 2021, covereadora da Bancada Feminista do PSOL.

NATHALIA SANTANA

Mulher negra, bissexual e vegana, formada em engenharia ambiental. Defende os territórios e comunidades tradicionais frente ao racismo ambiental e enfrenta a emergência climática com justiça racial. Militante ecossocialista e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.

Sirlene Maciel

Professora, sindicalista e sambista nas horas vagas. Nasceu no bairro da Penha, Zona Leste de São Paulo. Filha de um gráfico e uma tecelã, trabalhou no comércio, em supermercado, em telemarketing e como professora nas redes estadual e municipal de São Paulo. Desde 2008, leciona Língua Portuguesa e Literatura no Centro Paula Souza, na Etec Prof. Aprígio Gonzaga e na Etec Tereza Nunes. É mestra em Estudos Literários pela Unesp Araraquara. Possui experiência nas lutas em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. Atualmente, é presidenta da Ateps (Associação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Centro Paula Souza). Foi diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), gestão 2001-2003. Participou da Executiva da Apeoesp de Guarulhos e do Conselho Geral do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais de Educação do Município de SP).

Paula Nunes

Advogada criminalista e defensora de direitos humanos, tem a segurança pública como uma de suas principais pautas. Iniciou sua militância no movimento de juventude e no movimento negro em 2012, integrando a gestão do Centro Acadêmico 22 de Agosto do Direito PUC/SP, além de ter ajudado a construir coletivos de combate ao racismo, como a Coalizão Negra por Direitos, o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra e a Frente Pró-Cotas nas universidades estaduais paulistas. Na adolescência, fez parte da coordenação do grupo de jovens da Igreja Santo Antônio de Lisboa, na Zona Leste de São Paulo, e da Juventude Palotina do Brasil. É ativista da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do movimento de juventude Afronte, e foi covereadora com a Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo (2021-2023).

Silvia Ferraro

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Professora de História da rede municipal de ensino, mãe e ativista da frente Povo Sem Medo e do movimento feminista. Sua militância política começou já na adolescência, a partir do movimento estudantil, da Pastoral da Juventude e das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Começou a dar aulas na escola pública com 20 anos e, desde então, construiu uma trajetória de luta em defesa da educação. Foi candidata do PSOL ao Senado em 2018, quando obteve mais de 208 mil votos só na capital, a maior votação do partido na cidade. É membra do Diretório Nacional do PSOL.

</a

Paula Nunes

Advogada criminalista e defensora de direitos humanos, tem a segurança pública como uma de suas principais pautas. Iniciou sua militância no movimento de juventude e no movimento negro em 2012, integrando a gestão do Centro Acadêmico 22 de Agosto do Direito PUC/SP, além de ter ajudado a construir coletivos de combate ao racismo, como a Coalizão Negra por Direitos, o Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra e a Frente Pró-Cotas nas universidades estaduais paulistas. Na adolescência, fez parte da coordenação do grupo de jovens da Igreja Santo Antônio de Lisboa, na Zona Leste de São Paulo, e da Juventude Palotina do Brasil. É ativista da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e do movimento de juventude Afronte, e foi covereadora com a Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo (2021-2023).

Mariana Souza

Cientista social com habilitação em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas. Militante ecossocialista, bissexual, vegana popular e educadora. Cria do ABC, fez parte de uma candidatura coletiva à vereança de Curitiba, em 2020. Foi servidora pública municipal das secretarias de Educação dos municípios de Santo André e Mauá. Também atuou no Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar do Paraná (CECANE/UFPR), e como mediadora de conflitos socioambientais; entre outras atividades profissionais e militantes ligadas ao direito à cidade, à soberania alimentar e por justiça ambiental, social e climática.

Carolina Iara

Carolina Iara é mulher intersexo, travesti, negra e vive com HIV/aids. Foi covereadora da Câmara Municipal de São Paulo com a Bancada Feminista do PSOL. É mestranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC e pesquisa sobre empregabilidade de pessoas negras que vivem com HIV. É assistente de políticas públicas da Secretaria Municipal de Saúde (onde trabalhou por 7 anos com vítimas de violência doméstica e sexual) e é militante do Coletivo Loka de Efavirenz, da Rede de Jovens São Paulo Positivo (RJSP+), dos movimentos de HIV/AIDS e LGBTQIA+, e da Associação Brasileira Intersexo (ABRAl) a qual ajudou a fundar. Também é escritora e poeta.

Carolina Iara

Carolina Iara é mulher intersexo, travesti, negra e vive com HIV/aids. Foi covereadora da Câmara Municipal de São Paulo com a Bancada Feminista do PSOL. É mestranda em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC e pesquisa sobre empregabilidade de pessoas negras que vivem com HIV. É assistente de políticas públicas da Secretaria Municipal de Saúde (onde trabalhou por 7 anos com vítimas de violência doméstica e sexual) e é militante do Coletivo Loka de Efavirenz, da Rede de Jovens São Paulo Positivo (RJSP+), dos movimentos de HIV/AIDS e LGBTQIA+, e da Associação Brasileira Intersexo (ABRAl) a qual ajudou a fundar. Também é escritora e poeta.

Dafne Sena

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Advogada criminalista de formação, foi trabalhadora de aplicativos, é militante ecossocialista, vegana por um veganismo popular e integra a Coordenação Estadual da Setorial Ecossocialista do PSOL.

Natália Chaves

Covereadora pela Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo. Militante ecossocialista e pelo veganismo popular. Formada em Letras, é tradutora, tendo contribuído com a Revista Jacobin. Participa do Coletivo Anticapitalista por um Veganismo Acessível e Livre de Opressão (C.A.V.A.L.O.) e da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.